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COLETIVO ERO ERE

Atualizado: 30 de Ago de 2019



POR KAMILA OLIVEIRA




Ancestralidade e resistência são representadas em um conjunto de obras que se entrelaçam e constroem narrativas acerca de trajetórias pessoais. Questões que são partilhadas pelo Coletivo Ero Ere, grupo de artistas negras, formado em Curitiba em 2018, que têm buscado com a união de suas histórias, a visibilidade e o reconhecimento de um trabalho que desvela passado e presente, por intermédio de uma poética que trata da relação entre o fazer cotidiano, e o fazer artístico como expressão de suas vivências.


Detalhe da série Ancestralidade Africana da artista Fernanda Castro.


Em exposição no MON, por meio da mostra ERO ERE: negras conexões, com curadoria de Emanuel Monteiro, seus trabalhos percorrem um caminho que trata do resgate de conhecimentos anteriores ao estabelecimento de seus antepassados no Brasil, recuperando antigas práticas que estes trouxeram, como uma for-ma de reconhecimento e identificação de suas raízes. Além disto, propõem uma reflexão sobre a valorização da arte produzida por artistas negras, diante de toda uma estrutura que ainda privilegia artistas homens, sobretudo brancos. Diante disto, expõe a necessidade de uma discussão sobre o alcance da arte produzida por estas artistas, e a distância de oportunidades as quais estão muitas vezes condicio-nadas, o que é feito promovendo-se uma longa observação sobre a desigualdade latente.




Acima: Detalhe da obra “Lua da Cura” da artista Cláudia Lara e “Ciclo contínuo” de Eliana Brasil. Fotos: Kamila Oliveira.

A exposição traz o foco também sobre as relações e o sentido de pertencimento, apresentando uma diversidade de linguagens, em uma teia intrincada que revisita tradições e recordações e as materializa, projetando força e sensibilidade.





Vista da exposição. Acima: detalhe da obra “Corpo de barro branco”, livro de artista II, da artista Lourdes Duarte.

Walkyria Novais , "No fundo da gaveta" 2019. Livro de Artista em criado mudo de imbuia.

Vista da exposição com obra “COQUEIRAS” da artista Kênia Coqueiro.

Detalhe: obra da série “Abstrata”, da artista Lana Furtado, fotografia digital.

Constituída de diversas manifestações artísticas, que abarcam desde a performance, como no trabalho da artista Eliana Brasil, com seu trabalho Carne Nobre, até a arte têxtil, com seu trabalho “Quando o gesto vira poesia” com fotografias antigas bordadas sobre crochê, evo-cando memórias afetivas. Os estandartes da artista Cláudia Lara, como uma homenagem, onde cada um deles faz referência a uma das fases da lua e sua relação com os ciclos das mulheres ao longo da vida. A artista Walkiria Novais com a instalação da série “Memórias in-ventadas ou uma caixa imaginária” fala sobre a construção de memórias e identidade, no que parece um processo de reconhecimento e resgate de quem se é. Lana Furtado traz na foto-grafia imagens abstratas com suas texturas que remetem a um sentido de pertencimento à natureza, de interligação. Lourdes Duarte também nos remete às texturas, em seus livros de artista, e alude ao corpo se utilizando de fragmentos, tanto na cerâmica quanto em imagens impressas. Também com a fotografia, Fernanda Castro nos apresenta registros de mulheres paranaenses quilombolas, num panorama que busca retratar a ancestralidade em uma coexistência de gerações. Kênia Coqueiro com sua instalação “COQUEIRAS” aborda também a ancestralidade e as memórias, representando sua ascendência, as mulheres que vieram antes e são o pilar de toda uma vida.




Vistas da exposição. Fotos: Kamila Oliveira.

Percorremos várias histórias sendo contadas. Histórias que se entrelaçam de modo a exaltar suas próprias raízes, honrar e desvendar suas origens em um percurso de reconheci-mento de si mesmas, de resistência e amor.



A mostra ERO ERE: negras conexões, realizada pelo MAC-PR, que iniciou no dia 18 de julho, foi prorrogada e permanece em exposição no Museu Oscar Niemeyer, sala 8, até 29 de setembro de 2019, na cidade de Curitiba.


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