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FIAMMA VIOLA

Atualizado: 17 de Ago de 2019


A artista faz um relato sobre sua trajetória a partir de experiências de repressão e abuso, utilizando-se da arte para tratar do processo de desabrochar do ser em contrapartida à ideias castradoras vigentes em nossa sociedade. Exaltando conceitos simbólicos, através de uma atmosfera mística, Fiamma aborda temas acerca da libertação da mulher e sobre resistência.


POR ELA MESMA


Mulheres já chegam ao mundo com todo o seu curso de vida pré-determinado. São infinitos os desafios que devemos enfrentar diariamente para quebrar esse padrão e sermos protagonistas de nossas vidas, do-nas de nossos corpos, de nossos desejos e merecedoras de respeito.

Cresci na periferia de São Paulo, em uma família evangélica, conservadora e machista que nunca estimulou o desenvolvimento de habilidades criativas. Min-ha adolescência foi marcada por uma grande curiosidade e busca por desenvolver competências artísticas, além de uma rebeldia latente que tendia inconscientemente para o feminismo como forma de resistência ao contexto conser-vador onde eu estava inserida.



Crisálida, 2019. Óleo sobre tela. 70 x 85 cm.

Assim teve início minha minha jornada artística no campo da ilustração e da pintura, sendo prematuramente interrompida por uma série de acontecimentos abusivos que me afastaram da arte e de mim mesma por anos.

Inserida numa carreira burocrática que nunca me realizou profissionalmente e após anos de distanciamento da minha essência criativa, mas já fortalecida após o envolvimento com o feminismo, em 2011, retomo meu percurso artístico com aulas particulares de desenho e pintura no ateliê de um renomado artista plástico em Brasília, seguido de outros cursos e formações. Desde então, busco juntar os pedaços que ficaram pelo caminho construindo narrativas a partir das poderosas energias do feminino e, desde 2016, intercalo períodos de produção e exposição no Brasil e na Itália, baseada em Bologna.


Lua Mãe, 2018. Óleo sobre tela.

Na Europa também são grandes as dificuldades de acesso ao circuito das artes pois a atuação de museus, galerias e curadores ainda re-flete a lógica de desvalorização da produção feminina. Contudo, hoje aos 42 anos, sigo resistindo e celebrando cada pequena vitória nessa jornada transformadora de vida e prática artística.



Vida Fértil, 2019. Colagem Digital. 29 x 21 cm.


Yoniverse, 2017. Ilustração. 29 x 21 cm.

Oya e o Espelho, 2019. Técnica mista sobre tela (carvão e acrílica). 50 x 70 cm.

Como sobrevivente, minha expressão reflete as buscas inerentes à condição feminina e minhas vivências são parte importante da poética. Através de um trabalho multidisciplinar, procuro articular idéias sobre cultura, construção de identidade, arquétipos, sexualidade e feminismo em uma atmosfera onírica na qual exploro uma linguagem própria. Uma construção que não se limita a reprodução da figura feminina, mas inclui formas e conceitos mais amplos, além de diferentes técnicas como pintura, ilustração, colagem e bordado.


Busco juntar os pedaços que ficaram pelo caminho construindo narrativas a partir das pode-rosas energias do feminino.

Meu processo criativo é centrado no corpo feminino como território de construção de uma narrativa visual que busca a liberação da carga negativa geralmente associada e propõe uma visão poética livre, voltada para a renovação do imaginário social e cultural acerca do universo feminino por meio de uma postura ética, estética e política de resistência e criação de outras figurações para o corpo, o feminino e a subjetividade.



Descobertas, 2018. Colagem manual. 30 x 30 cm.

Regina, 2016. Colagem Manual. 29 x 21 cm.


Womb Blessing, 2018. Colagem Manual. 42 x 29 cm.

Puta, 2019. Bordado em calcinha de algodão.

Utilizando a sexualidade feminina como elemento fundamental de identidade, procuro apontar metáforas ressonantes no corpo da mulher, como o sangue, criando diálogos a partir de arquétipos, sonhos e narrativas eróticas que são um convite a uma visão política para um mundo diverso e com várias possibilidades de existência.


Meu corpo é meu território, lugar de arte, política e amor.

Inferno Astral, 2017. Óleo sobre tela. 60 x 70 cm.



@fiamaviola

artluv.net/artista/fiamma-viola

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