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KATHË KOLLWITZ

Atualizado: 17 de Ago de 2019

KATHË KOLLWITZ FOI UMA IMPORTANTE ARTISTA GRÁFICA E ESCULTORA, QUE VIVEU NA ALEMANHA NA PRIMEIRA METADE DO SÉCULO XX E REVOLUCIONOU A ARTE, DEVIDO AOS TEMAS ABORDADOS EM SEUS TRABALHOS. NO DIA 8 DE JULHO COMPLETARAM-SE 152 ANOS DE SEU NASCIMENTO, EVENTO QUE MARCOU O INÍCIO DE UMA TRAJETÓRIA QUE TEVE PAPEL FUNDAMENTAL NO CONTEXTO SOCIAL DE SUA ÉPOCA, E NA EMANCIPAÇÃO DAS MULHERES DENTRO DO MUNDO DA ARTE.


POR KAMILA OLIVEIRA


Vinda de uma família que incentivava o convício com as artes e a autonomia dos filhos, independente de gênero, Kathe Kollwitz (1867 - 1945) cresceu em um meio prolífico para seu desenvolvimento, porém em seu auge artístico dentro do Expressionismo Alemão teve que enfrentar censuras e boicotes devido ao seu senso de justiça e trabalhos de cunho político e social. Em meio a isto, o trabalho com o autorretrato, juntamente com seus diários fizeram parte de toda sua vida, e era através deles que ela, de certa forma, desabafava e expunha suas insatisfações, tristeza e contentamentos.

Houve uma preferência pela arte figurativa em praticamente toda a sua vida; na linha de tempo abordada, diversos movimentos seguiam em paralelo a seus trabalhos e que escapavam ao figurativismo, como o Expressionismo Abstrato e a Arte Conceitual, porém, tais movimentos tinham em sua maioria homens, que detinham ainda grande parte do reconhecimento no mundo das artes, não sendo estranho que por este motivo as mulheres seguissem por uma vertente mais tradicional. Contudo, derrubando várias barreiras do ponto de vista político e social, Kathë Kollwitz promoveu um modelo de trabalho que por vezes se parece solitário, uma espécie de exame minucioso de si mesma.



A Marcha dos Tecelões, 1897. Gravura em água-forte. 21,6 x 29,5 cm.

O uso do autorretrato durante sua vida está intrinsecamente ligado a questões da mulher como artista e indivíduo, a beira dos conflitos entre seu eu mais profundo e suas relações com o domínio externo. Kathë Kollwitz consegue evocar tanto a questão do feminino, como um conceito geral relacionado às mulheres no mundo da arte e em sociedade, quanto o lado emocional e íntimo que ao mesmo tempo que define sua individualidade, as conecta através deste aspecto humano de profunda expressão, vulnerabilidade e entrega.


Autorretrato com a mão direita erguida. 1924. Xilogravura. 40x30 cm.

Analisando seus retratos, cada imagem parece transmitir um sentimento diferente, e sua busca também estava voltada para a essência da expressão, portanto, havia uma profundidade em suas imagens, mesmo nos poucos traços da xilogravura, ou no esfumado dos desenhos a carvão, técnica utilizada pela artista com afinco em diversos trabalhos, que posteriormente seriam retomados na gravura, principalmente na Litografia.



Morte e a mulher, 1910. Gravura em metal, rolete, água-tinta e raspador. 45 x 45 cm.

Em algumas séries, como as que precederam “Morte, Mulher e Criança” (1910), ela retrata a destruição, a dor e a miséria, trazendo cenas de mães abraçadas a seus filhos mortos e, empresta seu rosto solidarizando-se ao sofrimento que as classes mais pobres viviam naquele período. Seu trabalho foi em grande parte, humanitário e em favor dos menos favorecidos, o que pode ser visto em uma de suas litografias “Guerra nunca mais”, onde a artista faz um apelo contra a eclosão da Segunda Guerra Mundial na Alemanha, e em sua série “A Revolta dos Tecelões”.



Autorretrato e estudo de nu, 1900. Desenho a lápis e nanquim branco e cinza escuro. 27,8 x 44,5 cm. Gabinete de Gravuras e Desenhos do Museu Estadual de Stuttgart (GSSS).

Existe também em sua obra a ideia de um registro visual autobiográfico. A percepção apurada de si mesma fica evidente através de elementos que ela passa a inserir em suas obras, e as anotações em seu diário. Quando se coloca representada em uma cena ela empresta seu rosto e toda a sua dor, se autorretratando como participante ativa, a fim de expressar o peso do sofrimento humano. “Quero atuar em meu tempo, no qual a humanidade está tão desorientada e precisando de ajuda” escreve ela em seu diário em 1922, o que demonstra sua vontade de participar ativamente da realidade em que estava inserida.


Quero atuar em meu tempo, no qual a humanidade está tão desorientada e precisando de ajuda.

Trabalho Domiciliar, 1909. Desenho a carvão. 58,2 x 45 cm. Kunsthalle Bremen.


Mulher pensando, 1920. Litografia.

A força com que seus retratos contam a história de seu tempo e refletem momentos de sua vida, como sua juventude, seu trabalho como artista, a morte do filho, a velhice, a solidão, e sua insatisfação perante a vida, mostram como ela soube trabalhar o sofrimento em favor da arte, tocando pro-fundamente em questões existenciais. Em quase todos seus autorretratos, ela expressa sua melancolia e seus estados depressivos, mas de alguma forma é possível perceber que ao se retratar ela buscava não somente exteriorizar estes sentimentos, como se enxergar através deles.



Guerra nunca mais, 1924. Litografia. 97,5 x 74,1 cm. National Gallery of Art, Washington Coleção Rosenwald.


https://www.moma.org/s/ge/collection_ge/artist/artist_id-3201.html

Referência

SIMONE, Eliana de Sá Porto De. Käthe Kollwitz/ Eliana de Sá Porto de Simone – São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2004.


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